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OS CRIMES DO “SEA WORLD”

“Aconteceu em Puget Sound, em Washington. Barcos de alta velocidade e grandes redes nos cercaram. Dezenas de meus amigos orcas e membros da família foram presos naquele dia também, e sete – incluindo eu – foram posteriormente vendidos para parques marinhos . Cinco outras pessoas morreram afogadas durante a convulsão, incluindo quatro bebês.”

É uma história horrível, e parece inacreditável, não é mesmo? Pois bem, mas isso aconteceu com Lolita, uma Orca que foi capturada aos 4 anos de idade, e é mantida em cativeiro há quase 50. Assim como ela, existem várias outras em condições semelhantes, vivendo tristezas sem fim.

Pesquisas em neurociência indicam que orcas, parentes distantes dos golfinhos, são inteligentes, possuem emoções e senso de ligação social. Sendo assim, são seres que formam vínculos afetivos para toda vida. Uma orca mãe e seu filho podem viver até o final de suas vidas unidos; a prole não abandona a sua família mesmo quando adultos. Sempre nadando juntas e ajudando umas as outras, possuem uma estrutura familiar tão estável, que é possível ver em um grupo de orcas de até mesmo três ou quatro gerações juntas.

Quando perdem um parente ou parceiro, esses animais passam por uma espécie de luto, chorando por eles e velando seus corpos. Ao que tudo indica,  “passam por um período onde experimentam os mesmos tipos de emoções que eu ou você teríamos quando um ente querido morre”, como acredita Robin Baird, do Cascadia Research Collective — em Olympia, Washington — e coautor de um estudo publicado em 2016 no Journal of Mammalogy.

Entre alguns fatos interessantes, estima-se que as fêmeas possam viver por volta de 100 anos e os machos algo entre 60 a 70 anos. São  animais majestosos que passeiam livremente pelos mares, nadam em média 225 km por dia, e não possuem predadores naturais, exceto o homem.

Ao serem caçadas  para servirem de entretenimento, todo seu direito de liberdade ganham um ponto final, e a felicidade se torna algo bem distante da realidade. As Orcas ficam confinadas em pequenos tanques de concreto, nadando em círculos infinitos; tristes e entediadas.

Foto retirada do Google

Seus tanques expostos, mal podem protegê-las do calor escaldante e das intempéries de onde ficam os parques, fazendo com que sua pele rache e sangre. Feridos, estressados, cansados e deprimidos, os animais por diversas vezes ficam por horas a fio imóveis, como se esperassem que um socorro viesse e os levassem embora dali de volta para casa; o lar que eles não conhecem mais após tantos anos de cativeiro, mas, que ainda sim, seria melhor que o lugar onde se encontram.

Em seus cativeiros, qualquer vestígio de estrutura familiar existente anteriormente é bruscamente quebrado. Craig Thommas, o treinador mais antigo do parque, confirmou que de fato determinados filhotes são encaminhados para outros parques do complexo, depois dos primeiros anos. Com isso, uma mãe orca chora e grita de dor por se separada de seu filho tão precocemente.

Mesmo cercada de várias outras,  elas se sentem sozinhas, pois são varias populações misturadas, não há familiaridade, e assim inevitavelmente ficam agressivas umas com as outras.

 Confinadas e amontoadas, elas que antes eram dóceis, brigam, deixando machucados e marcas profundas em suas peles. A crueldade dos tratadores é tamanha, que utilizam óxido de zinco preto para esconderem as diversas feridas dos animais, sob o pretexto de que são “protetores solares”, de modo que fiquem prontos para o “estrondoso e magnífico espetáculo”.

Como seres sencientes que são, a agonia e o sofrimento são tão grandes que elas mordem as bordas de concreto dos tanques, danificando seus dentes e causando infecções não só na boca, mas também no estômago. Os tratadores entopem os animais de antibióticos e anti-inflamatórios que nem ao certo sabem se irão funcionar, afinal,  o show tem que continuar.

 Ao longo dos anos, houveram aproximadamente 70 casos de acidentes de orcas com os tratadores. Os animais em questão, ficam separados dos outros em tanques menores ainda, sozinhos, silenciados e, em grande parte, violados de modo que sirvam apenas  para reprodução;  descartáveis, até que morram.

Por mais que o SeaWorld apresente argumentos e discursos convincentes com relação aos cuidados com os animais e com natureza,  tudo é feito para o exato objetivo

de ludibriar o público e afasta-lo da hipótese de uma realidade nada favorável para os animais:

 “O que eu realmente não gosto sobre o SeaWorld é que eles contam mentiras para o público sobre a ecologia e a biologia das orcas, em nome de justificar seu negócio. Eles são uma empresa com fins lucrativos. Irão proteger seus acionistas primeiro e fazer o que é certo com as baleias em um distante segundo lugar. Acho que isso é antiético”,

afirma Naomi Rose, que cientista de animais marinhos do Animal Welfare Institute (AWI), de São Diego, Califórnia.

Diversas descobertas científicas vem ocorrendo para elucidar a ideia de que animais também são possuidores de emoções. Uma vez que isso esteja emergindo, é preciso urgentemente repensar

a forma repudiadora com a qual  as Orcas vêm sendo tratadas.

Torna-se imprescindível a conscientização  da gravidade desse cenário, para  que cada vez mais cidadãos  se tornem proativos na luta de leis mais severas de proteção aos animais. Além disso, é preciso intensificar a fiscalização, com o intuito de assegurar que os direitos e bem-estar estão sendo mantidos.

Já basta de tanta crueldade, esses parques precisam ser gradativamente esvaziados. Os shows não são,  de forma alguma, de entretenimento para famílias,  e sim de horrores. É inadmissível , em pleno século XXI,  ensinamos ao indivíduo em fase pueril, por meio do exemplo, que o homem é o ser dominante e mais impiedoso sobre todos os outros.  Somos todos um só,  — animais de diferentes espécies dividindo o reino  —  irmãos que compartilham a existência no mesmo planeta.

Fontes:

https://academic.oup.com/jmammal

https://academic.oup.com/jmammal

https://www.terra.com.br

https://www.osha.gov

https://www.terra.com.br

https://www.osha.gov

Documentário Balckfish

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