O QUE A ARQUITETURA BIOFÍLICA PODE FAZER POR VOCÊ?

Conceito e explicação resumida sobre Arquitetura Biofílica

Em suma é uma tendência natural de voltarmos a atenção para as coisas vivas. Esse é o verdadeiro significado, mas ao pé da letra, a palavra biofilia, termo cunhado pelo etimologista e biológo norte-americano “Edward Osborne Wilson”. Após décadas de um padrão de consumo excessivo e de cidades construídas para priorizar a produção, e não as pessoas, passou-se a perceber a necessidade de resgatar os estímulos positivos da natureza. Na arquitetura e no design, isso engloba aspectos como uma forte presença do verde e de plantas, seja dentro de casa ou em um espaço urbano, valorização de aspectos como luz e ventilação naturais e soluções que incentivem as pessoas a buscar alguma conexão com o natural.

A famosa Supertree Grove, em Singapura.| Foto: Annie Spratt/Unsplash

O que esse tal de design biofílico pode fazer por mim?

Que as plantas trazem benefícios a saúde dos indivíduos, isso todo mundo sabe. Mas para o público que não é um profundo conhecedor do paisagismo e da arquitetura saudável, as dúvidas ainda são muitas!

Vou citar umas perguntas que podem estar passando pela sua cabeça:

O que exatamente significa design biofílico? Quais são os benefícios dessa proposta? Até que ponto isso é verdadeiro ou tem um pouco de fantasia para impressionar o consumidor e vender plantinhas?

Arquiteta Analu Góes

Então vamos lá! O que andam dizendo por aí a respeito do assunto?

As áreas verdes, jardins, árvores, gramados, mares, lagoas, montanhas e rochas naturais interferem positivamente no equilíbrio e na saúde das pessoas.

Como tudo isso começou?

Em 1984, o biólogo Edward O. Wilson publicou seus estudos da biofilia trazendo informações iniciais sobre a ligação emocional que os seres humanos têm com outros organismos vivos e com a natureza. Quanto a definição dos termos, Biologia é uma ciência que estuda a vida, já a Biofilia significa amor (philia) à vida (bio).

Segundo Wilson, a biofilia é a ligação genética que temos com a natureza. A necessidade da conexão humana com o mundo natural é parte de nossa herança biológica trazida desde os primórdios. Sendo assim, os seres humanos procuram inconscientemente essas conexões ao longo da vida.

Foto: Tidelli

Não é mito, é ciência!

A paisagem natural ao seu redor pode, por exemplo, acelerar um processo de cura. O design biofílico já está sendo incorporado na arquitetura hospitalar em clinicas e outros ambientes terapêuticos.

Diversas pesquisas científicas já comprovam que a presença da luz natural vinda do Sol, a ventilação natural e o contato direto com a natureza previnem a depressão, reduzem a ansiedade, aumentam a criatividade, facilitam o aprendizado nas escolas, diminuem o estresse, trazem maior qualidade de vida, e por aí vai! São muitas as vantagens do chamado design biofílico e da arquitetura saudável.

Segundo a OMS, o Brasil tem a maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo, você sabia?

Pois é, mas para reverter esse quadro, e necessário uma tomada de decisão importante: reconecte você com a natureza.

Mesmo que esses ‘elementos verdinhos’ não estejam dentro da sua casa, mas se pelo menos eles puderem ser vistos através das janelas, já irão contribuir amplamente para o seu bem-estar e consequentemente para a sua produtividade.

Seja qual for a sua atividade em dado momento, de uma simples tarefa doméstica a um cuidadoso trabalho técnico profissional, ela será potencializada se você estiver em ambientes com abundância de elementos naturais. A curto prazo, já se pode perceber uma mudança na respiração, sensação de conforto e maior prazer na realização daquela tarefa que outrora lhe trazia grande cansaço.

Agora valos falar um pouco a respeito das comprovações científicas sobre esses assuntos.

No livro “Birthright: People and Nature in the Modern World”, o autor Stephen R. Kellert defende a ideia de que a saúde e o bem-estar humanos estão intrinsicamente ligados à natureza. Kellert, e outros tantos pesquisadores que deram continuidade as essas pesquisas, perceberam que a nossa conexão com o mundo natural é parte de nossa herança biológica. Necessitamos então dessa relação contínua com a natureza e, portanto, é preciso reduzir o contato com os diversos tipos de poluição, inclusive a poluição tecnológica.

Muitas outras pesquisas foram realizadas mais recentemente comprovando a eficácia da biofilia e do design biofílico em hospitais, em ambientes escolares e corporativos. Já se fala em projetos com salas de descompressão dentro de hospitais e grandes empresas onde o funcionário passa alguns momentos para relaxar e posteriormente retornar as suas atividades.

Fica fácil então entender porque o índice de absenteísmo nas empresas diminui quando há um planejamento e projeto arquitetônico segundo os princípios do design biofílico. As pessoas sentem prazer em estar nesses espaços e se cansam menos trabalhando! Ambientes saudáveis nos espaços de trabalho denotam um cuidado com a saúde e qualidade de vida do colaborador, o que gera a redução da taxa de turnover, ou taxa de rotatividade nas empresas. Sendo assim, as vantagens vão além da qualidade de vida, chegando a interferir também na área econômica

Será que você precisa de mais algum argumento para se convencer de que o design biofílico é uma excelente proposta de transformação de vida?

Para finalizar, devo ressaltar que a arquitetura e o design biofílico não significam colocar vasos de plantas aleatoriamente. É imprescindível um estudo cuidadoso dos ambientes, observação da incidência de luz, qualidade do ar, da água, entendimento da função dos espaços e respeito aos ocupantes.

O cliente e os usuários de qualquer edificação são o foco do trabalho do arquiteto. Todas as decisões, escolhas dos materiais, texturas, cores, dimensionamentos e fluxos são voltadas para atendê-los da melhor forma possível. Mas é claro, se ainda não chegou o seu momento de iniciar um grande projeto com um arquiteto, não desanime! Você mesmo pode começar selecionando algumas plantas purificadoras do ar como o lírio da paz, a samambaia americana e a jiboia, dentro de casa e próximo a mesa de trabalho, por exemplo.  Essas pequenas atitudes podem ser o início de uma grande transformação de vida.

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